Resenha - O Sol é Para Todos


O Sol é Para Todos é um daqueles livros que você provavelmente vai encontrar em todas as listas de "livros que você tem que ler antes de morrer". Ganhei meu exemplar de presente há algum tempo e só depois de tempos que consegui sentar para lê-lo. Espero que gostem da resenha.



O Sol é Para Todos - Harper Lee
Editora: José Olympio
Páginas: 364
Nota: 5

Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.
O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações.

O Sol é Para Todos (To Kill a Mockingbird, no original), é narrado em primeira pessoa por Scout, uma garotinha de seis anos de idade que mora em uma pequena cidade onde todos se conhecem e a "ordem" das coisas é mantida. Scout mora com seu irmão, Jem, e seu pai, Atticus. Atticus tem uma forma diferente de ver as pessoas e, por mais que saiba que isso influenciará de forma negativa em sua imagem, decide aceitar defender o processo de um negro acusado de estuprar a filha de um homem da região. 

A história é toda sob o ponto de vista da criança, Scout é bastante impressionável e o tipo de garota que não leva desaforo para casa e resolve tudo com os punhos. É bastante ingênua em certos momentos, por não ter conhecimento mesmo, mas sempre aprende com o pai e tenta seguir seus ensinamentos (às vezes, né?). E essa voz que conhece pouco faz com que o leitor vá aprendendo junto a ela como funcionam as coisas em sua cidade, como as classes são separadas e como cada pessoa deve se "portar" só porque as pessoas falaram que é assim. 

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A linguagem é bastante fluída, não chegando a ser infantil, mas também acessível para diversas idades. Anos passam no decorrer da narração e podemos ver o amadurecimento dos personagens, principalmente do Jem, que se torna adolescente e começa a se parecer em certo ponto com o pai. O cotidiano na obra está tão presente, em outras palavras, a ambientação foi tão bem construída que o leitor se vê inserido nos anos 30, morando na casa de Atticus e tentando entender como que as pessoas da época pensavam (mesmo que para nós seja um retrocesso em muitos pontos). 

Contudo, assustadoramente, muita coisa é ainda atual como o tema principal do racismo e até a questão do vizinho das crianças, Arthur Radley. E por isso o livro ainda hoje é tão importante (sério, ele se passa em 1930, como que tem coisa que se repete em pleno século XXI?)

Gostei bastante dos questionamentos da Scout, aqueles bem típicos da infância, que mostra que as crianças não nascem corrompidas, a sociedade que tem o poder de corrompê-las. No decorrer das páginas somos constantemente colocados a frente de questões sobre bem e mal, sobre a opinião da sociedade e se ela é o correto a se acreditar, etc. 

É um livro divertido, que não cansa em nenhum minuto, mas que passa uma mensagem valiosa e te faz ficar encarando o teto depois que acaba de ler. 

Indicado para todos os leitores e com certeza ainda é uma leitura indispensável.

Sobre a edição: Eu não conhecia esse selo da Record, mas já posso dizer que gostei muito. A capa tem um toque aveludado e é fácil de manipular. As páginas são amareladas, com uma diagramação simples, que permite uma leitura confortável. A única coisa que me incomodou é que em algumas partes do livro teve alguns problemas na impressão, seja porque ficou faltando pedações de palavras ou tinha manchinhas... Mas nada que tenha atrapalhado tanto. 


Sobre a autora

Harper Lee foi uma escritora estadunidense, filha de uma dona de casa e de um advogado. Seu primeiro livro, O Sol é Para todos (em inglês: To Kill A Mockingbird) publicado em 1960, foi um sucesso instantâneo, se tornando um dos maiores clássicos da literatura norte-americana moderna. A obra ganhou o prêmio Pulitzer e deu origem a um filme homônimo, vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado em 1962.
O romance é baseado livremente nas memórias familiares da autora, assim como em um evento ocorrido próximo a sua cidade natal em 1936, quando ela tinha 10 anos de idade. A obra foi eleita pelo Librarian Journal como o melhor romance do século XX e está na lista de 100 melhores livros feita pela BBC.

Espero que tenham gostado da resenha! Já conheciam o livro? Pretendem lê-lo ou já leram? Não esqueçam de comentar aqui embaixo.

Beijinhos e até! ♥
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Resenha - Ninho de Fogo - Coração de Escamas (Volume #2)



Olá, pessoal! Como vocês estão? 

Há pouco tempo trouxe para vocês a resenha de Ninho de Fogo - A Mestiça, primeiro livro da Trilogia Ninho de Fogo da Camila Deus Dará. Hoje vou falar um pouco sobre o que achei do segundo volume da série!

Se não leu a resenha do primeiro volume, pode conferi-la aqui


Coração de Escamas - Trilogia Ninho de Fogo - Camila Deus Dará
Editora: Pendragon
Páginas: 260
Nota: 3,5



O mundo que Melane conhecia não existe mais. Fadas, sereias e dragões fazem parte de sua realidade agora. A mestiça conseguiu libertar seu povo da maldição e da fome, mas o perigo ainda não acabou. Pedrus continua solto e somente ela poderá descobrir onde encontrá-lo. Esta parte da jornada não será fácil e Melane nem imagina todas as dificuldades e desafios que terá que enfrentar. Laços fortes de amizade, amor, traição, corações partidos, batalhas, sangue e morte, é isso que te espera nesta nova etapa de Ninho de Fogo!



Voltamos para Ninho de Fogo. Nesse segundo volume, vemos que todos estão em uma busca incansável por Pedrus, o mestiço responsável por colocar a maldição no reino, para acabar de uma vez por toda com a ameça sobre o reino. As buscas não tem sucesso a princípio e aos poucos vão se tornando mais pontuais. Melane é afastada pelo avô dessa confusão toda, já que temem que a herdeira possa se machucar de alguma forma. Mas claro que nossa protagonista não ia ficar sentada de braços cruzados e resolve investigar por si mesma. 

Todos os personagens do volume anterior estão nesse segundo e somos apresentados a uns poucos novos. Achei uma escolha acertada da autora não trazer tanto personagem novo para o segundo volume, para poder trabalhar os que já tem. 

A história continua sendo narrada em primeira pessoa, a grande parte dos capítulos por Melane. Nesse volume, Camila decidiu não colocar tantos capítulos narrados por Jack como no anterior, que foi algo que antes me incomodou um pouco. Mas aqui está bem melhor, já que os comentários do rapaz se tornam pontuais e em momentos chave. 

Assim como no primeiro livro, a história foca MUITO na vida amorosa de Melane e em suas escolhas, deixando a parte que, para mim, seria principal para o final. Pensei que nesse a autora fosse desenvolver melhor o que se referia a busca a Pedrus e toda a parte fantástica da história, mas não. Mesmo que tenha tido uma evolução do volume anterior, ainda senti que a trama se desvirtuou um pouco, deixando em segundo plano o que era a motivação para esse novo livro. 

Gostei bastante do personagem Sam, da ligação dele com a princesa e de certa forma até do ocorrido no final do livro. Acho que de todos, o personagem que menos gosto é David e até entendo a amizade dele com a Melane, mas queria que o personagem dele aparecesse mais e fosse melhor trabalhado para eu ter alguma empatia...

Como eu tinha esperado no final do volume 1, a autora trabalho mais em Coração de Escamas sobre as criaturas de Ninho de Fogo, trazendo algumas explicações e nos aproximando de espécies que parecia improvável no livro 1. 

Achei que Camila progrediu muito nesse segundo livro, mesmo que ainda sinta que tem que prender os olhos no que é o principal (ou é o relacionamento da Mel, ou é salvar o reino) e ver os pesos da subtrama.

Coração de Escamas foi uma leitura melhor do que do primeiro volume e espero que o nível continue aumentando para o terceiro. Continuou sendo uma leitura divertida e rápida, e o final me deixou curiosa para a terceira parte. Então podem esperar que em breve teremos resenha de Isso Não É Neve aqui no blog. 

Para quem se interessou e leu o primeiro volume, o segundo é mais do que recomendado, principalmente pela evolução da autora. E claro, dragões nunca perdem a graça. 


~


Espero que tenham gostado da resenha. Não deixem de comentar com o que acharam do livro, se já conheciam e se pretendem ler no futuro.

Beijinhos e até a próxima!

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Resenha - Conrad's Fate

Fonte
Chegamos ao dia em que irei resenhar um livro da minha série favorita da vida. The Chronicles of Chrestomanci (ou Os Mundos de Crestomanci no Brasil) é uma série infanto-juvenil não muito conhecida aqui nas terras tupiniquins, por mais que uma das obras da autora já tenha inspirado um filme do Studio Ghibli (O Castelo Animado). De todos os livros da série, apenas dois não foram traduzidos para o português, Conrad's Fate e The Pinhoe Egg, e se os livros traduzidos já são difíceis de encontrar, imagina os que tem que importar. Mas eu finalmente consegui completar minha coleção e agora falta apenas 1 livro para ler e acabar a leitura dos livros que me acompanharam durante toda a vida. 



Conrad's Fate - Diana Wynne Jones
Editora: Greenwillow
Páginas: 310 
Nota: 5

Someone at Stallery Mansion is changing the world. At first, only small details, but the changes get bigger and bigger. It's up to Conrad, a twelve-year-old with terrible karma who's just joined the mansion's staff, to find out who is behind it.
But he's not the only one snooping around. His fellow servant-in-training, Christopher Chant, is charming, confident, and from another world, with a mission of his own -- rescuing his friend, lost in an alternate Stallery Mansion. Can they save the day before Conrad's awful fate catches up with them?

O jovem Conrad mora em uma cidade onde volta e meia as coisas mudam sem explicação. Se ele está cozinhando ovos, por exemplo, quando uma mudança acontece ele se vê diante de um prato de bacon e panquecas, e por aí vai. Ele descobre então que tem um terrível carma e seu destino está ligado a alguém na Mansão Stallery (o lugar responsável por causar as mudanças). Então, ele é mandado para lá a fim de descobrir não só quem está causando as alterações, mas também a pessoa responsável por seu carma. 

Em sua missão, ele conhece Christopher, um mago de nove vidas que será o futuro Crestomanci*. Esse por sua vez também está em uma tarefa: encontrar sua amiga desaparecida. Juntos eles enfrentam o trabalho de aprendiz de mordomo, enquanto exploram a casa em suas horas vagas e aos poucos vão se tornando grandes amigos. 

A história é narrada em primeira pessoa, pelos olhos de Conrad. Essa escolha foi importante para criar o mistério ao redor dos personagens, já que Conrad não conhece muito bem ninguém e quem conhece, não tem 100% de certeza sobre quem são. Nosso protagonista não é a criatura mais inteligente do mundo, ele é bem manipulável e sabe muito pouco do universo mágico. Por isso se torna fácil para todos esconder suas verdadeiras intenções do pobre Conrad. Dessa forma, os personagens vão evoluindo aos poucos, junto com as descobertas do garoto. 

A ambientação da Diana está sempre no ponto. Ela não se aprofunda descrevendo seu universo fantástico, demorando-se ao explicar o que é diferente do nosso próprio, mas também não deixa de mostrar o que é importante. Vamos conhecendo o mundo aos poucos, pelas falas de personagens ou pensamentos do protagonista. Isso, pelo menos para mim, vai aproximando o leitor da história, já que muitas coisas são parecidas com o que temos em nosso próprio mundo e são raras as vezes que você se lembra que aquilo nunca poderia acontecer com sua vizinha ou você mesmo. 

E isso é um dos pontos que torna a Diana minha autora preferida. Ela trabalha tão bem o cotidiano em sua obra que a magia se torna quase tangível. Por mais que seus universos sejam incríveis, bem construídos e com uma surpresa a cada esquina, a sensação que fica ao final dos livros é que tudo aquilo é possível de acontecer na nossa realidade. 

Os personagens são interessantes e divertidos. O leitor não se aproxima tanto deles quanto do protagonista e de Christopher (que são os que mais aparecem durante a história), mas mesmo assim dá para criar uma simpatia com eles. São muitos personagens e a autora consegue dar a importância necessária para cada um, não sobrecarregando o leitor de informação que no final seria apenas tempo perdido. 

O final é cheio de surpresas e todas as perguntas que o livro levanta são respondidas. Conrad's Fate com certeza é meu segundo livro favorito da série, empatado com As vidas de Christopher Chant. Acho que a única coisa que me incomodou um pouquinho foi a repetição de alguns nomes que aparecem na série, e que nenhum momento fala da coincidência**

É um livro que indico a qualquer pessoa viva que saiba ler, mesmo que seja um infanto-juvenil. Mal posso esperar para ler o último e já estou preparando o coração para chegar ao final da série.

Sobre a edição: Ela é simples, com papel bem fino e letras pequenas. Nesse volume tem dois livros da série, Conrad's Fate e The Pinhoe Egg. A capa é linda e por mais que a impressão seja econômica, não tenho nada do que reclamar. 

*Crestomanci é um contratado do governo, é um mago poderoso (senão o mais poderoso de todos) que tem como função cuidar das questões mágicas dos vários mundos. Durante a série, conhecemos 3 magos de nove vidas, o Crestomanci passado, o atual e o em treinamento. 

**A série não é escrita em ordem, cada livro é independente, por mais que tenha uma cronologia. Alguns personagens aparecem em certos livros em diversas fases de sua vida e tem alguma importância, mas normalmente seu passado não é explicado em cada volume, o que deixa o leitor a mercê de sua memória. Por isso nomes são importantes, e como a autora repete o nome Conrad e Chant, pensei que poderia ter alguma ligação entre os referidos, mas são apenas coincidências (ou a autora que não queria ser mais criativa rsrs). 


Sobre a autora
Diana Wynne Jones nasceu em Londres no dia 16 de agosto de 1934, filha de Marjorie e Richard Aneurin Jones, ambos professores. Quando foi anunciada a Segunda Guerra Mundial, às vésperas de seu quinto aniversário, Diana foi levada à casa dos avós no País de Gales e dali em diante se mudou várias vezes, incluindo períodos em Coniston Water, York, voltando a Londres e se fixando em Essex. Cursou Inglês em Oxford, onde teve aulas com C. S. Lewis (autor de Crônicas de Nárnia) e J. R. R. Tolkien (autor de O Senhor dos Anéis), formando-se em 1956.
Parte de sua série de livros Os Mundos de Crestomanci e da série de O Castelo Animado foram publicados em português no Brasil, porém grande parte de sua obra (que soma mais de quarenta livros) ainda não tem versões em português.

Chegamos ao fim de mais uma resenha. O que acharam do livro? Já conheciam algo da autora? Comentem aqui embaixo!

Beijinhos e até a próxima ♥

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Resenha - Ninho de Fogo - A Mestiça (Volume #1)



Ah, dragões. Quem não os ama? Se você não os ama, pode se retirar daqui agora. Como vocês já devem saber, eu sou apaixonada por fantasia (e sim, eu vou repetir isso em todas as resenhas de livros de fantasia), e não tive como deixar passar quando vi o livro da Camila Deus Dará. Eu havia comprado o primeiro exemplar na outra editora, mas a autora mudou de casa editorial e eu tive que comprar o box da trilogia completa. Agora vamos ao que achei do primeiro volume. 


A Mestiça - Trilogia Ninho de Fogo - Camila Deus Dará
Editora: Pendragon
Páginas: 248
Nota: 3

Melane, uma garota de 16 anos que vive com a avó, descobre não apenas ser uma mestiça de bruxa e dragão, como também uma princesa em um mundo chamado Ninho de Fogo.
Com ajuda de seu fiel guardião David, e o pequeno Jack, o garotinho de quase 300 anos de idade, ela volta para sua terra natal, descobrindo que o lugar está se despedaçando.
Em um mundo de dragões, fadas e sereias, Melane terá que ser forte para a batalha que colocará em risco o mundo onde nasceu, enquanto tenta descobrir a quem pertence seu coração.
Uma mistura de romance, aventura, guerra e salvação é o que te espera em Ninho de Fogo!

Em um dia comum de sua vida, ou nem tão comum assim, Melane de repente se vê fugindo de dragões nas costas de seu melhor amigo David, que, para surpresa de nossa protagonista, também tem a habilidade de se transformar em um dragão. Nessa fuga, ela descobre que na verdade é a princesa de um reino em outro mundo, chamado Ninho de Fogo, e que precisa voltar para casa. Descobre também que seu avô, o rei do lugar, tornou-se um tirano e está destruindo o reino e pretende matar a própria neta. Coisas bem cotidianas.

A Mestiça é narrado em primeira pessoa, em grande parte pela Melane, mas com alguns capítulos pelo ponto de vista do Jack. Acho que eu particularmente preferia que fosse narrado só pela Mel, já que não achei que os capítulos do garoto contribuíram tanto para a história. Mas foi interessante ler sobre os sentimentos dele, já que não sabemos todos os lados com um narrador personagem apenas. 

Nesse primeiro volume encontramos aquela fórmula que conhecemos muito bem: o Monomito. Melane se vê diante da missão de salvar seu povo, enfrentando seu avô. Como toda situação "você é um bruxo, Harry", a protagonista leva seu tempo para se acostumar com a ideia de sua descendência, mas assim que vê a situação que encontra as terras do reino, resolve deixar de lado suas inseguranças e partir para a ação.  


A ambientação foi bem construída, por mais que eu pense que a autora poderia se demorar mais nela, por se tratar de um novo mundo e isso propiciar uma maior imersão. As descrições não são cansativas, assim como a linguagem  da obra, que se adéqua ao público alvo. Achei porém a história um pouco corrida, o que não permitiu que os personagens fossem tão bem trabalhados quanto eu esperava. Suas mudanças são rápidas e nem sempre por algum motivo muito claro. A autora acrescentou também algumas cenas que não se enquadraram tão bem na história, provavelmente por não terem o tempo necessário para serem desenvolvidas. 

Meu desenho da Melane :)
Achei bem interessante o mundo de dragões, mesmo não sendo a única espécie, é a principal na obra. Espero que nos outros dois volumes a autora fale mais sobre o universo, trazendo ainda mais criaturas e dando importância a elas na trama. 

Por mais que sinta que a autora precise melhorar um pouco mais, amadurecer sua escrita e construção, achei divertida a leitura, uma boa história para passar o tempo. A escrita é bem levinha, com personagens adolescentes que correspondem à sua faixa etária. 

O final do livro me deixou muito curiosa e não posso esperar para descobrir como Melane irá resolver tudo nos próximos volumes. 

A edição da Editora Pendragon ficou uma gracinha, no box, as lombadas dos três volumes juntas formam uma imagem única, que fica linda na estante. A diagramação ficou no ponto, sem tantos detalhes quanto a edição da outra editora, mas também não pecou em nada. O livro possui um mapa de Ninho de Fogo nas primeiras páginas, o que é sempre muito bem-vindo em livros do gênero. A única coisa que não gostei tanto foi a forma que as folhas do livro foram coladas, por mais que a capa seja molinha e dê para dobrar, a forma como as folhas estão em certas partes não permite que o livro seja muito aberto. 

A Mestiça é indicado para aqueles leitores que gostam de fantasia e procuram um livro rapidinho, mas divertido para ler. 



Sobre a autora

Uma garota de 28 anos que adora moda e maquiagem ao mesmo tempo que Star Wars e Peter Pan.

Cresceu em uma família que vivia a base de jogos de vídeo game, filmes da locadora do posto de gasolina mais próximo e das histórias que o avô sempre contava. Acredita que todos esses fatos colaboraram para a escolha da sua profissão.

Aos 9 anos de idade descobriu o mundo mágico dos livros e, depois disso, surgiu uma vontade imensa de criar suas próprias histórias e dividi-las com o mundo.



Gostaram da resenha? Já leram o livro e acharam que eu deixei passar algo? Gostaram de conhecer mais sobre a obra? Não deixe de comentar!

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Resenha - Agnes Grey


Anne Brontë era a única das irmãs Brontë que eu nunca havia lido nenhuma linha. Em um belo dia estava andando pela livraria quando me deparo com esse exemplar de Agnes Grey. Como viciada em comprar livros que sou, não pude perder a oportunidade. Agora trago a vocês o que achei da leitura. 



Agnes Grey - Anne Brontë
Editora: Wordsworth
Páginas: 192
Nota: 4

Agnes Grey is a trenchant exposé of the frequently isolated, intellectually stagnant and emotionally starved conditions under which many governesses worked in the mid-nineteenth century. This is a deeply personal novel written from the author’s own experience and as such Agnes Grey has a power and poignancy which mark it out as a landmark work of literature dealing with the social and moral evolution of English society during the last century



Agnes Grey é a filha de um pastor que, após seu pai afundar em dívida, resolve se aventurar trabalhando como governanta. Durante sua vida inteira havia sido impedida pela mãe e a irmã de realizar tarefas (as mais simples que fossem, por ser a filha mais nova), então a ideia de trabalhar e poder ajudar a família é um passo importante para mostrar aos pais que ela era sim capaz. 

O livro, ao contrário dos romances escritos pelas outras irmãs Brontë, não é uma história de amor, ou aquele tipo de texto que as apaixonadas por histórias vitorianas parecem tanto gostar. É um livro mais realista, que propõe mostrar como as famílias aristocratas tratavam seus subordinados e as classes menos abastardas. 

A história é narrada em primeira pessoa, pela própria protagonista. Não há uma romantização dos personagens, nem mesmo de Agnes, então podemos ver com clareza como eram os diversos pensamentos da época. [Uma breve explicação sobre a posição de governanta: elas estavam a cima do nível da criadagem, normalmente de classe média - ou o que seria equivalente hoje. Desta forma, há um distanciamento entre os patrões e a governanta e entre a governanta e os criados.] Por mais que Agnes esteja longe de se comportar como seus contratantes, ainda é possível notar certo pensamento contra as classes mais baixas, o que ao meu ver torna a protagonista ainda mais real.

Quando li Jane Eyre, escrito pela Charlie Brontë, não tive dificuldades com o inglês ou o ritmo da história. Com Agnes foi um pouco diferente, não que a leitura no idioma original tenha sido desagradável, mas o livro é composto por parágrafos muito extensos, que muitas vezes me deixava um pouco perdida. 

A autora não perde tempo com longas descrições, preferindo dissecar o comportamento dos personagens do que descrevendo cada ambiente exaustivamente.

Foi uma leitura bem proveitosa, interessante ver outras faces da época, e não apenas uma romantização. Das três irmãs, Anne é a mais realista, o que não estraga a obra. Sua crítica ainda é bastante atual, seus personagens são reais e a leitura nos faz pensar não apenas na forma como tratamos que não é da mesma classe que nós, mas também como os pensamentos de épocas mudam e que muita coisa que conhecemos do passado é uma face da moeda.

Uma leitura recomendadíssima para quem gosta do período vitoriano e que queira conhecer mais sobre a época e suas formas de pensar. 





Sobre a autora

Nascida em Thornton, Yorkshire, na Inglaterra, Anne é a mais nova das três irmãs Brontë, todas escritoras famosas. Ela, Emily e Charlotte morreram relativamente cedo, todas vítimadas pela tuberculose. As três adotaram pseudônimos em suas carreiras. Charlotte, a mais velha, assinava suas obras com o nome de "Currer". Emily, autora de "Wuthering Heights (O morro dos ventos uivantes)" usava o nome de "Ellis" e Anne, "Acton Bell".





Espero que tenham gostado da resenha! Já conheciam o livro? Já leram outra coisa da autora ou de suas irmãs? Não deixem de comentar aí embaixo ♥

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Resenha - Deixe-me Entrar

Olá, pessoal! Como estão todos? A resenha de hoje é de uma história que queria ter lido há algum tempo já. Comprei o livro lá em 2016 e decidi que leria nesse iluminado ano de 2018. Aqui está minha opinião sobre Deixe-me Entrar:

Deixe-me Entrar - Letícia Godoy
Editora: Arwen
Páginas: 356
Nota: 3
Julianne Ipswich cresceu confinada no internato Le Rosey, afastada de sua família com o pretexto de receber uma educação de qualidade. Este fato sempre a incomodou e o maior desejo de Julianne era descobrir a verdade para que a família tenha a afastado, uma vez que não ficou convencida de que a preocupação com os seus estudos seria o único motivo.
Ao completar 15 anos, ela retorna para Stone Forest, a cidade de seus pais, e, aos poucos, acaba descobrindo mais do que gostaria de saber.
Cercada por muito mais perigos e desafios do que ela jamais pôde imaginar que surgiriam em sua vida, Julianne precisará desvendar os mistérios de seu passado e preparar-se para os desafios do futuro rapidamente se quiser sobreviver. As vozes se misturam, os olhos sedentos nunca param de espreitar e o perigo está onde ela menos imagina. Será que Julianne conseguirá enfrentar tudo isso?

Julianne acaba de sair do internato e está voltando para casa. Sua ida para longe ainda a perturba, e, além de buscar entender o porquê dos pais terem se afastado dela por tanto tempo, tem que assimilar o que descobriu assim que saiu do Le Rosey: Vampiros existem. Ao chegar em casa, porém, descobre que está mais inserida no mundo vampiresco do que poderia imaginar. 

Segundo Letícia Godoy, Deixe-me Entrar é uma história criada a partir de fakes de crepúsculo, da época do falecido Orkut. Eu julgo essa informação importante, principalmente pela forma que a autora decidiu construir sua narrativa. 

No livro, conhecemos inúmeros personagens, mas dois são os mais importantes: Julianne e Gerard, que são ligados pelo passado e se envolvem no presente em meio a tanto mistério. A história principal gira ao redor dos dois, das descobertas de Anne e seu passado, e Gerard e sua vida de vampiro. 

Acho interessante histórias com muitos personagens, principalmente por estar bem acostumada com fantasia e aventura (que são gêneros que costuma aparecer muita gente), mas não achei que a autora soube construir direito a trama em cima deles. A história ficou um pouco corrida no começo, mostrando muitos personagens e situações que não eram necessárias para o desenvolvimento do livro. Além de que fica aquela sensação de que o livro quer tratar de muita coisa, e perde o foco da história principal. 

Fiquei com a impressão de que o livro parecia uma fanfic interativa, com muitos personagens para pouca história, onde todos precisam aparecer para cumprir tabela.

O livro foi escrito em terceira pessoa, o que foi uma boa escolha para poder mudar tanto de ponto de vista sem que a leitura ficasse tão caótica (o que sinto em muitos livros com vários narradores e que isso não influencia tanto na história). Achei o círculo principal de personagens bem interessante, cada um com sua história e espero que cada seja melhor explorado no próximo livro, para o leitor poder se aproximar ainda mais de cada um. 

Achei interessante a visão da autora do mundo vampiro e como ela o cria com coerência, tornando-o quase real. 

Por mais que ache que a autora tenha muito o que melhorar na história, eu particularmente gostei da trama principal, mesmo que o livro mude muito o foco. Achei interessante a ideia e com muito potencial. Mais para o final do livro, a narrativa foca mais em Anne e Gerard e nos personagens mais próximos, o que permite o leitor se aprofundar e identificar mais com a história. 

 Apesar do que disse anteriormente, achei a leitura agradável. Gostei da descrição da autora e de seus personagens. Espero que no próximo livro sejam melhor colocados. 

Uma leitura recomendada para quem gosta de histórias de vampiros, bruxa e magia. 

Sobre a autora

Letícia Maria de Godoy nasceu em 13 de fevereiro de 1994 na cidade de Curitiba, no Paraná, porém cresceu em Siqueira Campos, onde descobriu, sentada sob as sombras da casa onde morava, o seu gosto pela leitura. Aprendeu a ler e escrever aos 4 anos de idade, tendo como primeira professora sua mãe, e aos 8 anos começou a escrever seus primeiros contos em restos de cadernos escolares. Desde então, nunca mais parou. Aos 17 anos passou no vestibular para ingressar na faculdade de Letras, um sonho que se tornou realidade. Aos 18 anos, publicou três contos na antologia intitulada Pontos da Vida, sua primeira aventura no ramo da literatura. Atualmente dedica-se a escrita de romances, a revisões textuais e pesquisas no ramo da linguística aplicada.




O que acharam da resenha? Já conheciam o livro? Deixem aí embaixo seu comentário! 
Beijinhos e até!


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Resenha - A Garota Perfeita


Quem não ama um bom thriller? Ano passado, esse foi o gênero que eu mais busquei ler. Eu sou uma pessoa que compra livro pelas capas e gostei da de A Garota Perfeita, então resolvi me arriscar. E o que eu achei? 



A Garota Perfeita - Mary Kubica
Editora: Planeta
Páginas: 336
Nota: 3
Skoob
Mia, uma professora de arte de 25 anos, é filha do proeminente juiz James Dennett de Chicago. Quando ela resolve passar a noite com o desconhecido Colin Thatcher, após levar mais um bolo do seu namorado, uma sucessão de fatos transformam completamente sua vida.
Colin, o homem que conhece num bar, a sequestra e a confina numa isolada cabana, em meio a uma gelada fazenda em Minnesota. Mas, curiosamente, não manda nenhum pedido de resgate à familia da garota. O obstinado detetive Gabe Hoffman é convocado para tocar as investigações sobre o paradeiro de Mia. Encontrá-la vira a sua obsessão e ele não mede esforços para isso.
Quando a encontra, porém, a professora está em choque e não consegue se lembrar de nada, nem como foi parar no seu gélido cativeiro, nem porque foi sequestrada ou mesmo quem foi o mandante. Conseguirá ela recobrar a memória e denunciar o verdadeiro vilão desta história?

Desde o começo do livro, somos inseridos em dois tempos da história: o passado e o presente. A autora escolheu dar voz a três narradores (a mãe de Mia, o detetive Gabe e Colin), desta forma, temos uma visão bem ampla dos acontecimentos, sejam eles vistos pelo sequestrador, sejam eles vistos pela família que busca a filha sequestrada. Vemos de perto o sumiço e a volta de Mia, mas, assim como sua mãe e Gabe, não sabemos o porquê dela ter esquecido do que viveu na cabana no meio da neve.

Com a narrativa estruturada desta forma, o suspense não fica em descobrir o que houve com a garota, onde ela estava e como viveu ali, mas sim o que aconteceu de tão traumático para ela esquecer tudo e, principalmente, quem foi que contratou o sequestrador. 

Devo confessar que não me identifiquei com nenhum personagem. Por mais que entenda a razão de todos, não consegui me sentir comovida para realmente me importar com o que estava acontecendo. A autora porém deu condições bem humanas para eles, só a moral que foi um tanto quanto duvidosa e me afastou bastante. De todos, o que menos gostei foi o detetive Gabe e toda vez que ele aparecia eu já revirava os olhos. Colin por sua vez, foi o personagem que mais me fez me envolver, mesmo sabendo que a autora queria criar essa nossa aproximação com uma pessoa que... Bem, é um sequestrador e o "vilão" da história. 

Para mim, o foco do livro não é no suspense, mesmo este sendo algo importantíssimo, mas sim a construção da relação entre os personagens e em seus desenvolvimentos, mostrando ao leitor que as pessoas não são totalmente más ou boas e que a classe social não define seu caráter. 

Gostei da ambientação em A Garota Perfeita, me senti aflita principalmente nas cenas em meio a cabana na neve. Como o enfoque na maior parte da obra não é nos lugares e sim nos sentimentos, a autora não se perde fazendo descrições tão demoradas que não acrescentam muito, ela apenas situa o leitor e passa para o que interessa. 

A linguagem é bem leve, fluída, daquele tipo de livro que você pode ler por horas sem se sentir cansado. O ritmo porém, para mim pelo menos, fica um tanto quanto quebrado, já que temos muitos narradores que estão cada qual em seu momento. Sei que isso foi proposital, para aumentar o suspense, mas algumas partes eu senti que poderiam ter sido resumidas ou retiradas, o que teria deixado tudo mais dinâmico. Mesmo assim, foi uma boa leitura. 

Contudo, está longe de ser um livro que entraria entre os melhores que já li do gênero. Não me senti tão presa quanto esperava e um thriller, não tinha aquele desejo por descobrir logo o que estava acontecendo o que estraga um pouco a experiência de leitura do gênero. 

O que falarei a seguir pode, ou não, ser spoiler: quem gosta de thrillers provavelmente já conhece Gone Girl, ou, aqui pros brasucas: Garota Exemplar. É pouco possível não comparar um título com o outro, já que são muito parecidos. Esta comparação, porém, estraga um pouco a leitura, já que fica com aquela pulga atrás da orelha se os finais serão parecidos ou não. E olha, eles são parecidos sim (claro, cada um com suas peculiaridades). 

Não recomendaria o livro para os loucos por thrillers, já que estes podem se decepcionar bastante com a leitura. Mas a história é agradável e gostei da escrita da autora, então, se quiserem um livro que seja divertido para passar suas horas, esse é um bom pedido. 

Sobre a edição: O livro tem páginas amareladas; a fonte e o espaçamento contribuem para uma boa leitura; a qualidade do exemplar em si é muito boa, a capa é bem flexível o que ajuda muito a manusear o livro; a diagramação é simples, mas organizada e que combina com a proposta do livro. 

Sobre a autora

Mary Kubica é formada em Artes, História e em Literatura Americana pela Miami University, de Oxford, Ohio. Enveredou-se pelo mundo da escrita em 2014, quando lançou A Garota Perfeita – um livro que rapidamente tornou-se um dos suspenses psicológicos mais vendidos dos Estados Unidos, juntamente com Garota Exemplar e A Garota do Trem. Atualmente, vive nos arredores de Chicago com seu marido e seus dois filhos, dedicando-se à literatura, à fotografia, jardinagem e a um abrigo para animais, onde é voluntária.


E vocês? Já conheciam a obra ou a autora? Já leram esse livro? Comentem aí embaixo! 
Beijinhos e nos vemos na próxima postagem!



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